Novo teto do FGTS abre caminho para retomada de imóveis de médio padrão

Publicado em 8 de agosto de 2018
Categoria: Notícias

Possibilidade de usar o recurso na compra de residências de até R$ 1,5 milhão diminuirá o abismo entre lançamentos (+69%) e vendas (-1,9%) nos empreendimentos com este perfil de comprador.

Diante de um aumento de 69,6% nos lançamentos em 12 meses até maio e uma queda de 1,9% nas vendas no mesmo período, os negócios envolvendo imóveis de médio e alto padrão têm no novo teto de financiamento do FGTS a saída para que o setor dependa menos dos imóveis econômicos para sair de vez da recessão.

Na última semana, o governo federal decidiu elevar o teto do financiamento de imóveis dentro do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) dos atuais R$ 950 mil para R$ 1,5 milhão em 2019, o que aumentará a fatia dos que usam o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na compra.

“Nos dois últimos anos notamos que o programa Minha Casa Minha Vida, por mais problemas que tivesse, amorteceu uma queda maior da construção. Já era hora de pensar em soluções que atendam outras faixas de renda e construtoras com outros perfis”, diz o especialista em mercado imobiliário e professor de engenharia urbana da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Clodoaldo Pinto Martins.

De acordo com dados referentes a maio levantados pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), em 12 meses, os lançamentos deste perfil saltaram 69%, ao passo que as vendas caíram 1,9%. De janeiro a maio alta é de 150%, enquanto vendas subiram 2,3%. “Quando a construção ameaçou reagir as grandes construtoras desviaram do Minha Casa, por medo do calote. O problema é que a economia piorou, e temos previsões de mais lançamentos nos próximos meses.”

Na prática

Na visão do chefe financeiro da Gamaro Incorporadora, Augusto Yokoyama, um fator importante desta mudança do teto é abranger mais clientes. “O limite de R$ 950 mil, apesar de não ser baixo, restringia a possibilidade para a compra de residências de 2 ou 3 quartos em área nobres de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, onde o metro quadrado, muitas vezes, passa R$ 13 mil.”

Com a nova perspectiva, ele conta que a meta da empresa é lançar nos próximos anos R$ 2,8 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV). “Após este aumento no teto do FGTS, nosso crescimento deve se intensificar. Projetamos alta nas vendas entre 20% e 30% para nossas unidades de alto padrão.”.

Quem também se mostra otimista com os negócios ano que vem é a diretora comercial da Rôgga Empreendimentos, Aline Ev. “Existe oportunidade e não deve ser descartada. Há cargos de alta gestão em vários segmentos de mercado, cargos que têm recolhimento do FGTS. Este público-alvo reside em imóveis neste padrão, de R$ 900 mil a R$ 1,5 milhão, o que resulta, com a mudança da Caixa Econômica, na melhor taxa de juros de mercado”, conta, ressaltando que isso melhora o crédito como um todo, e estimula a cadeia.

Proprietária da imobiliária Trevo, Solange Ratti, diz que pelo menos 30% dos seus potenciais compradores migrariam para imóveis com um valor maior se houvesse esse espaço para uso do FGTS.

“Nós temos muitos clientes com comprovação de renda e interesse neste tipo de imóvel [de até R$ 1,5 milhão], mas eles acabavam comprando residências menores para se enquadrar nas regras antigas.”

De acordo com ela, alguns bairros de São Paulo apresentam apartamentos por R$ 1 milhão, e têm dois quartos. “Com a valorização da última década, imóveis em São Paulo, Rio e Brasília superam a cifra de R$ 1 milhão, e não são considerados de alto padrão.” Com as novas regras, a executiva conta que fará um “pente fino” nos negócios que foram perdidos por conta do teto e tentará retomar o negócio.

FONTE: DCI - Diário Comércio Indústria & Serviços

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